E hoje eu descobri que a esperança estava perdida. Sem querer parecer melodramático, as nossas lembranças e certezas de algo que foi bom acabam nos deixando mais leves, confortados e felizes.
Como é bom acreditar que havia algo de certo naquele naufrágio. Lembrar dos momentos bons na verdade nos deixa mais vulneravéis. Quantos momentos bons deixamos passar, e quantos escolhemos pra lembrar? Não sei dizer o número exato de cada um, mas sei que escolher lembranças é uma boa saída pra sair por aí, sorrindo, cantando e se orgulhando de um passado que poderia existir, se não tivesse sido uma grande cena.
Pensar isso não tira a beleza dos momentos que realmente foram bons. Mas o que define uma vida? Uma história? Uma passagem?
Pra mim, são as escolhas. São as saídas. As luzes no fim do túnel. A mentira não é feia por si só. Não existem mentiras boas, mas existem mentiras que não são cruéis, que não vão destruindos os sentimentos que restam aos poucos. O rancor é tão feio mas tão sincero. O que fazer? Mentir pro coração e achar que tudo passou ? Sim, tudo passa. Mas nem tudo afunda, se enterra, se esconde no fundo de nossas almas. Algumas coisas nos perfuram pra sempre. O amor é uma dessas coisas, que ao mesmo tempo que nos fortalecem, revelam o nosso lado mais fraco e carente.
Somos todos sozinhos no mundo. Não sozinhos de companhia, amor, amizade e fortaleza. Mas dentro de nós não existe mais ninguém. Talvez Deus também esteja dentro de nós, talvez somos Deus; mas sem querer entrar nesses méritos eu me pergunto: Quem não tem medo de ser sozinho? Será que é por isso que procuramos respostas em esperanças vazias? Me sinto tão amargo escrevendo tudo isso. Tenho amigos, tenho amor da minha família, tenho uma cachorra que eu amo. Mas a realidade que vem depois, não é bem aquela que planejei.
No final a verdade sempre esteve ali na minha frente. Todos sabiam e eu também. Mas nada como a certeza pra mudar tudo, porque a verdade sozinha é apenas verdade... Com a certeza vem a parte mais triste... Todos os sonhos que vão embora quando ela chega.
E o tempo passou
As folhas caíram
O clima mudou
A chuva passou
O galo cantou
O burro morreu
Os lábios sorriram
E a lágrima...
Lágrima. Choro. Vela.
Vamos comer um lanche?
Posso dormir na sua casa?
Vamos acabar com tudo.
O grito de gozo foi rápido.
A cama ficou vazia...
E a verdade entrou em cena
As luzes se apagaram
O público já sabia o final
O roteiro já estava escrito
O idiota ficou sem reação
Quem mandou ser um bobão?
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