domingo, 2 de agosto de 2009

Brigas II

Quando percebi que já era tarde
aquele soco no estômago
da saudade
doeu mais do que bater o dedinho na quina da minha cama

E as sensações de vazio me completaram
até que a a enchurrada chegou
levando tudo que eu tinha
minha cama, meu espelho, meu travesseiro.

e sem travesseito eu deitei na cama nua
pensamentos correndo como baratas tontas
e o cheiro de alcool incendiava o ar
queimando tudo que ali havia.

e o final.
que não existe.
ainda. será?

Brigas

Estava escrevendo um texto aqui. Mas achei uma bosta e apaguei.

domingo, 16 de novembro de 2008

Banal e Fútil


Pega um refri, senta aí
assisti comigo novela
não e cult, mas é arte
Fala do vizinho,
qual foi a última do bairro?
Dizem por aí
Dieckmann, Piovani e Pelé
Colcci em liquidação...
Umas roupas lindas da antiga coleção
Já viu a nova Hugo Boss?
Página social...
menina veja só,
Ela pegou ele com o Freitas Campos
logo um médico, tão conceituado
É... Ela bebia muito!
Você soube da notícia?
A Carminha tá cobrando 20 pé e 20 mão
Louro acobreado ficaria ótimo em você...
Hoje tem palestra
Novos rumos socioeconomicos das nações latinoamericanas
no contexto neoliberal vigente, vamos?
Ô...



(Marina Martins)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ode ao café.

Tomei um café.
Dois ou três, quem sabe...
E abri meu olhos.
Não antes.
Mas depois.
E depois do depois vem sempre
aquela sensação do café.
Vesti minhas roupas
as mesmas.
E porque não?
Andei um pouco e me cansei
Que chatisse.
Precisava de mais café.
Uma explosão de cafeína.
Quem sabe injetável?
Quem sabe inalável?
Ascendi dois cigarros.
Uma pra mim. Outro pro café.
Café que é café fuma um cigarro junto.
Fiquei sem ar.
Mas continunei andando.
A loira fala coisas estranhas.
Mas que no final fazem mais sentido
que tomar café...
Ou não.
Porque procurar sentidos?
Se no final do dia, ou melhor, no começo
Eu sempre começo com café.
Tomei um livro.
Li um café.
Tentei pelo menos.
Porque é tão difícil tomar um livro?
Porque é tão difícil ler um café?
Café faz bem pra saúde.
E eu, saúdavel como sou tomo café.
Não tanto quanto gostaria
Café é caro. E quente.
Tem café frio?
Tem.
Ahh, então não quero!
Tem café amargo?
Tem.
Então não quero?
Como quer então?
Quero quente, doce, e forte.
Não precisa ser três corações.
Pode ser um mesmo.
Se com um já é difícil, imagina com três?

domingo, 28 de setembro de 2008

Dizem das coisas bonitas
milhares de lendas infantins
no meio do mistério
de um estrada, de um vilarejo
supos a vida ser feita
feito doce
e de nada ter o gosto
azedo e amargo
é toda agridoce
Dizia a menina
tudo ser possibilidade,
seria mais uma apenas
se direita ou esquerda
se sorte ou azar
o que me encontra
em cada encontro
é o que faz prosa
e desenrola a história
e termina a poesia
relembrando a memória
de coisas perdidas
dizendo o coração
em dia de chuva
ser todo emoção!


Marina

sábado, 20 de setembro de 2008

Gosto não se discute.

Gostar de algo e ter opiniões próprias é comum a todos nós. Mas quem nunca se deparou com aquela situação em que existe quase que uma obrigatoriedade de gostar de algo. Opiniões diversas nem sempre são aceitas, podendo ser interpretadas como rebeldia gratuita. Acabamos que ficamos reféns da opinião geral e muitas vezes esquecemos que cada um tem o direito pessoal de expressão. Caímos naquela armadilha de tentar sobrepor nossas opiniões e gostos ao dos outros.

Nem sempre é fácil conviver com pessoas que tem concepções muito diferentes das nossas. E isso não significa uma antipatia ou isolamento. Muito menos arrogância. Simplismente, cada um tem o direito de gostar ou não de alguém ou de algo independente da opinição geral. Tem sempre aquela pessoa que TODO mundo gosta, mas que eu não suporto. Muitas vezes essa 'aversão' se revela de forma repentina (não vou com a cara daquela tal). Ou mesmo com a convivência. No começo tudo é belo, lindo, alegre e feliz. Depois de um tempo, quando eu conheço melhor uma pessoa, acabo descobrindo características que me desagradam. Vale lembra que nenhuma dessas situações são permanentes.

Voltando as 'obrigações' de gostar de algo, ou no caso alguém, não acho que se deixar levar revele fatalmente uma lacuna de personalidade. Mas quando o fato é recorrente e a necessidade de ser aceito é a prioridade, fica díficil pensar em personalidade de fato. Não preciso ter as mesmas opiniões que amigos por exemplo, mas havendo respeito com o lado de cada um tudo acaba de completando. Discuções calorosas sobre qualquer coisa, são tão legais e divertidas. E relações totalmente baseadas em pontos comuns acabam caindo no tédio.

Hoje eu fiz um café para mim. Estava um pouco amargo. Pensei " vou beber meio amargo mesmo, nem é tão ruim e tanta gente gosta"... Não consegui terminar a xícara. Gosto de café DOCE.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Sexta a noite.

A vida é uma grande piada ( sem graça). Sabe aqueles dias que você acorda com preguiça das pessoas, da cidade, da rua, do pão, do espelho, das roupas. Hoje quando eu acordei pra ir na faculdade eu nem estava completamente desanimado. Mas a perspectiva de ter que escolher alguma roupa pra usar, me derrubou. Não falo das roupas em si. Mas da iniciativa de vestí-las e ter que ficar pensando nisso. É um saco. Acho que agente fica tão preso aos pensamentos alheios. Aqueles pessoas 'foda-se' tudo em certo aspecto são as que mais sofrem. Carregar nas costas 'eu não to nem aí' é bem díficil. Além de, teoricamente, nada atingí-los existe uma cobrança interna para que isso se mantenha exteriormente. Mesmo que algo magoe e machuque a 'armadura' tem que ser mantida intacta. A força de um choro muitas vezes é maior que a de um foda-se. A exposição de sentimentos é um tabu pra muitos. O que acaba se confundindo com humilhação e fragilidade. O que cai naquela velha preocupação de construção de imagem. Todos nós, de certa forma, tentamos construir uma imagem que nos favorece, baseada naqueles príncipios pessoais (ou não). E pra construir algo, necessariamente, tem que haver uma escolha. Pensando assim, será que escolhemos ser o que somos? Fica a pergunta no ar ( homenagem a Dani, Luisa e Rafael) hehe.